terça-feira, 11 de janeiro de 2011

tudo numa coisa só (...)



Pensei hoje nessa infeliz mania que temos de pôr longe a natureza.
Somos parte do todo. E que o velho/novo clichê 'vamos cuidar da natureza', às vezes dói aos ouvidos.

Afinal, a natureza não está lá, ela está aqui, nós somos a natureza.
E é com o mesmo respeito (ou sem ele) que tratamos a vida, seja ou não de nossa espécie. E quem dirá, que quem não cuida dos seus não cuidará dos demais (o planeta muito bem entende).

A teia complexa da vida não perde um fio se quer, sem se desintegrar de alguma forma.


Tudo o que acontece com a Terra,
Acontece com os filhos e filhas da Terra.
O homem não tece a teia da vida;
Ele é apenas um fio.
Tudo o que faz à teia,
Faz a si mesmo


Ted Perry

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Da espera

Da angústia que se fez saudade, em meio a viração. 

Em frente ao novo, que de novo ninguém sabe o quanto, a inquietação da busca parece tão natural quanto o temor que me causa. Não se sabe ao certo onde vai terminar, embora os pensamentos de um bom desfecho, o acaso (não por descaso) se encarrega de cuidar.

E eu de tanto te querer, chego a criar asas em teus pés, para que mais longe de mim andes. 

Me desfaço em flor, em dor, em sol.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E a cultura? E a pobreza?

        Estava eu, na minha difícil relação cotidiana com aquele eletrodoméstico que fica no centro da sala, sabe? Mas encontrei algo que muito me interessou.
        Em um dos canais estava passando um documentário chamado 'Barka', produzido pelo SESC. O documentário trazia retratos de Burkina Faso, país africano, um dos mais pobre do mundo, em dinheiro, mas muito rico em cultura, em alegria, em lições, e toda essa boniteza.

    Duas coisas. 


   Durante o documentário, um dos entrevistados que tem vários trabalhos de alfabetização de crianças e jovens, e dá exemplos de vivência em comunidade, visitou o Brasil, o Rio de Janeiro, e aos ver as favelas ao lado dos belos prédios concluiu: " É por causa dessa pobreza que eu prefiro ser pobre aqui do que na América Latina ou na Europa. ".  E ainda acrescentou, que essa pobreza (essa mesmo que a polícia combate com tanque de guerra), rouba (faz roubar), mata (faz matar), corrompe (faz corromper).


      Sem mais. 


     E a cultura? Ele falou de todos os  esforços para mantê-la viva. A juventude, que se encontrava em festa, em um festival de música, falava de política, de seus exemplos, ouviam suas músicas, apesar dessa globalização (alienação global ? ).
      
     E eu fiquei pensando na nossa cultura, na nossa juventude, no nosso Brasil.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O ENEM e a inclusão Social: O começo de um longo caminho

      Eis que o cenário educacional nacional sofre uma forte mudança. Muitos alegaram ser para pior, outros tantos que a educação nas universidades será desqualificada, outros ainda alegaram o que chamaram de ‘incapacidade’ de muitos acompanharem o ritmo das instituições superiores. Mas de toda forma, a mudança se fez, os processos seletivos nas universidades federais do país, em sua maioria, passaram a ser através do Exame Nacional do Ensino Médio.
Obviamente não se pode negligenciar que o problema educacional no Brasil vem das bases, e se encontram desde a educação infantil, passando por toda educação básica. Mas de fato o novo método de ingresso nas universidades possibilitou que outro público ocupe os bancos universitários. Como muitos gostam de afirmar, o funil que restringe o ingresso nas instituições de ensino superior, com um vestibular extremamente seletivo e direcionado a uma classe social, foi ‘alargado’. Nesse novo momento pessoas de classe baixa, não todos ainda é claro, estão tendo esta oportunidade. 
Devemos lembrar sempre que essas mudanças não acabam com os problemas encontrados na base da formação dos indivíduos, mas de alguma forma como medida compensatória e imediata começa a haver outro horizonte para educação. Aos muitos que alegam que o ‘nível’ universitário diminuirá, ou que os novos ingressantes são incapazes de adentrar a esse ‘mundo’, provavelmente não passem de ‘vaidosos acadêmicos’ de mais alto grau, que se julgam em última instância melhores que os demais.
Ainda que se diga que nem todas as pessoas têm preparação suficiente para ingressar, nesse país o que determina condições dignas de sobrevivência para o povo, diferente de outros países, é a educação. E quando se priva pessoas de baixa renda a ingressarem no ensino superior está também lhes negando a oportunidade de uma vida digna. E continua-se cada vez mais a oprimir a massa da população, lhes dando a posição de subordinados que por direito não é de ninguém.
O processo teve início, a caminhada ainda é longa. Ainda é preciso rever, melhorar muita coisa na educação, mas é preciso começar e começar de alguma forma. E a universidade como espaço de todo o cidadão, como deveria ser, deve se reformular ao novo momento, os professores devem rever sua prática para acolher estes alunos, e não acabar excluindo-os de novo após um ou dois semestres. Aos acadêmicos a consciência de que este espaço é pra todos, afinal os impostos que sustentam as instituições são de todos. E ainda há quem se questione sobre a ‘qualidade’ dos profissionais que serão formados. O papel será dos professores em, sem negar as origens dos novos alunos, formá-los como todos. E cabe por fim questionarmos, o que são profissionais de qualidade? E de que valem máquinas que sirvam a esse sistema mecanicista, enquanto muitos ainda vivem em condições subumanas?

(Texto escrito para a disciplina de Didática do Ensino da Biologia I)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010



     Falta a cor, falta o sabor. Falta um pouco mais de luz, um pouco mais de nós. Falta sentir, falta tocar. Falta ser, falta acolher. Que não falta, não. A esperança, essa não. Se partir algo de tão grande se vai, acaba por ser inútil ficar, aqui. 
    Mas as pedras. Ah, as pedras! Mas as flores. Sim, as flores! Vamos ao caminho, com a música, com a dança, com a vida, mesmo que só, em alguns (muitos) instantes, só.

Lu Corrêa



quinta-feira, 21 de outubro de 2010



“ Sem tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte... Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.”


Rubem Alves

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A um amigo, a um companheiro, a um profeta (...)



É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais


'Foi a forma que eu achei de te homenagear.' 
  Quem podia esperar que esse feriado pudesse terminar desse jeito. Com a perda de alguém tão importante. Talvez se quisesse dizer, as lágrimas logo viriam aos olhos e aquele nó na garganta impedisse alguma manifestação. Então resolvi escrever.
   A vida tem razões que nós desconhecemos, e justamente por essas razões essa pessoa especial cruzou meu caminho, fomos nos tornando próximos, partilhando a vida, partilhando momentos de alegria, mas principalmente partilhando um sonho. Um sonho que não é só nosso, um sonho que é maior que nós, mas que com certeza foi construído em boa parte na caminhada desse amigo.
   Certamente uma das pessoas mais sinceras, mais verdadeiras, mais fraternas, e mais corajosas que eu já conheci. Eu sempre lembro das vezes que me peguei espelhando nele, pra ser mais corajosa para 'gritar' e defender a vida e a nossa utopia, e mais amiga para se doar aos outros como ele se doou.
   Foi em pouco tempo, mas tempo vivido com a maior intensidade possível, sabendo se colocar da maneira certa na hora certa. Vinha me ensinando tantas coisas nos últimos tempos, me ajudando tanto que nem encontraria palavras pra agradecer. 
   Talvez seja por egoísmo nosso, sim por egoísmo. Mas como foi embora assim? Sem se despedir ... E justo agora que tinha se tornado pra mim tão fundamental nessa caminhada, cheia de espinhos que ferem, mas também muitas flores que alegram.
   Ele, em seu profetismo partilhou a Boa Nova com muitos, foi presença alegre, sempre com uma palavra de conforto, (afinal ' se a vida te vira as costas ... passa a mão na bunda dela' hehe), com uma piada, com um conselho seja ele pastoral ou pessoal. 
    Ainda o agradecimento em nome da Pastoral da Juventude da Diocese, por toda a ajuda no nosso último festival, que aconteceu há um mês atrás, e no lançamento diocesano da campanha nacional contra a violência e o extermínio de jovens. Nem sei por onde começar ou o que dizer, porque os dias que construímos, juntos, muito mesmo devemos a ele, porque essas foram batalhas que enfrentamos de mãos dadas.
    A saudade vai ficar, e ainda aperta a dor aqui dentro. Mas sei que está acompanhado do nosso Deus da Vida, do nosso Deus libertador, e de Nossa Mãe de Guadalupe. E que continuará sempre intercedendo por nós, para que tenhamos sempre mais força, fé e coragem de seguir em frente. E mesmo que não esteja mais aqui fisicamente, no coração sempre estará guardado, e porque comungamos dessa mesma utopia, é também por ti que agarro cada vez mais firme essa bandeira, da nossa causa, da causa do Reino.

' Meu amigo, companheiro, assessor, fique sempre na paz. E até uma próxima.'


Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.

Cedo demais!